Fish

domingo, 26 de fevereiro de 2012

JAIRO

Era uma senhora.
Um pouco sem sorte, eu acho!
Mas de vez em quando encontrava um amor, ainda que passageiro.
Um deles, conquistado com muito sacrifício, conseguiu chegar para um primeiro encontro.
Um jantar.
Digo à muito custo porque o escolhido teve dificuldades ou medo de chegar até minha casa.
Parece que já sabia quem morava por perto e o que estava por vir.
Ele estava certo!
A diferença de idade entre nós parecia não ser problema.
Todo jovem tem aquele sentimento estranho, misturado, confuso.
Mulher mais velha versus mãe, sexo, desejo, atração, medo, incesto, culpa.
Uma mistura excitante!
Só que o escolhido, havia sido tão bem escolhido que nada mais era do que: filho do Pastor e da diretora da igreja e escola Luterana.
Era membro atuante, tinha uma banda que a  representava.
Para completar, minha filha era aluna e membro da Igreja e da escola.
Tinha tudo para não dar certo!
Mas deu, pelo menos por um tempo.
E foi muito bom!
Mas algo dificultava nossos encontros.
O Jairo.
Morador na frente de minha casa.
Putz! O que parecia difícil, foi fácil.
Conquistar tal perfeição de homem, por dentro e por fora.
Difícil mesmo era administrar o vizinho da frente.
O Jairo.
Ele era tesoureiro da igreja.
Íntimo amigo e fiel escudeiro do Pastor.
Logo: Um delator!
Atrapalhou bastante. Demais eu diria!
Entrar e sair de  minha casa só cuidando o vizinho.
Verificar se ele estava ou não em casa.
Ele sempre estava.
À espreita!
Que dificuldade aquele homenzarrão se encolher no carro para entrar.
Quando vinha com o carro da mãe era o maior sufoco:
_Tô chegando! Abre o portão e fecha rápido.
_Vê se o Jairo está na área!
 O coração disparava e eu me divertia ao mesmo tempo.
Quanta humilhação.
Eu, uma senhora de respeito, ter de passar por isso!
Só que eu não me importava, a paixão minimizava tudo.
O sufoco, o medo do outro, a curiosidade...
Infelizmente o caso teve fim e não poderia ser diferente!
E eu pude por a culpa pelo término em alguém...
No Jairo!
Mas não foi o fim do meu caso....com o Jairo!
Tive outro namorado. O de sempre. Desde meus 15 anos.
Vai e volta!
Hoje casado e amigo de quem?
Do Jairo.
Então, mais um namorado que se esconde, se encolhe, se enrola para me ver.
Entra e sai  escondido até no porta-malas.
É divertidíssimo!
Às vezes deixa o carro longe...lá vou eu buscá-lo...escondido!
Às vezes morro de raiva do vizinho.
O Jairo!
Tenho passado um trabalhão, não com meus homens.
Eles foram e são ótimos!
Mas com o vizinho Jairo.
Quanta dificuldade!
Pretendo adotar uma nova técnica no futuro, se precisar.
Uma tentativa de facilitar as coisas para mim e para o outro.
Antes de começar qualquer conversa que tenha potencial para evoluir, vou logo perguntar:
Você é amigo do Jairo?
















quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ENTRE A CULPA E A DELÍCIA

Quando imaginei sentimentos tão antagônicos em minha vida!
Eu não os conhecia.
Pois é...
Mas eles estão aqui, bem dentro de mim.
Ora me corroendo a culpa e ora me deliciando a alma.
Não desejei nada.
Nem um, nem outro.
Algo estava adormecido.
Nem mais me incomodava.
Até que uma notícia me fez ferver a alma,
Um filme de tudo que passei, coisas que já nem lembrava mais se projetou em minha mente.
E um sentimento jamais experimentado emergiu.
Me assustou...Muito!
A velha frase " a vingança é um prato que se come frio ", fez todo o sentido.
Coube de forma perfeita à situação.
Um lado de mim se deliciou com  uma vingança que nunca pretendi ou desejei.
Nunca disse um" tomara que"
Aceitei o que era para aceitar e sem reclamar.
Não tive direito nem a uma última DR.
Só foi...E foi.
Tudo e  todas as responsabilidades me pesaram da noite para o dia.
Só eu sei o que passei...Como fiquei...Só...Ridicularizada...Arrazada...Preterida...
Acho que nem tinha sido tão ruim para merecer o que fizeram.
Mas fizeram!
Pensaram que viveriam felizes para sempre como nos contos de fadas.
Só que não saiu como o planejado.
Talvez o preço da conquista tenha sido alto.
A vida.
Só sei que apesar da delicia que senti, do alívio pela justiça que vi sendo feita...
Ainda me sinto culpada.
Fui a vítima e me sinto culpada pelo sentimento que sinto!
Meus algozes estão muito mal.
E eu sabedora disso fiquei maleficamente bem!!
Diabolicamente bem!
Acho que isso foi o que pegou!
Que me deixou mal por outro lado.
São sentimentos ambíguos, difíceis de explicar.
Ainda bem que, passado o baque do prazer, está arrefecendo, aliviando e indo embora.
Tanto é que estou conseguindo expressar.
Falar, contar, expor, ainda que seja uma mazela de comportamento...
...Alenta a alma atormentada pela culpa.
Culpa de me sentir vingada.
Não sei se algo lhes pesa na consciência.
Provável que não. Provável que sim.
Cada um sabe do que fez para alcançar um objetivo.
Sei lá.
Talvez só eu esteja amargando uma culpa que não me pertence.
Definitivamente não me pertence.
Preciso me convencer de que fui vítima.
Quem deve estar sentido culpa são os algozes! 
Calma naira!
As coisas são como são!
O "Aqui se faz, aqui se paga" existe.
Sou humana.
Sangue corre em minhas veias e não preciso me culpar por algo que é do ser humano
Nada nobre mas existe e está em mim.
Pelo menos até que passe totalmente.
Espero!



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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

VOCÊ É QUEM EU VEJO

Um homem bem sucedido vangloriava-se de de atos.
Era belo e vestia bem.
Sua bela mulher falava bem, estudara em Paris.
Tudo naquele homem chamava atenção, todos o observavam.
Fumava e bebia só importados.
Tentei encontrar nele algo que me atraisse.
Buscava em seus olhos, cabelos, dentes, voz...
Achava tudo tão certinho que parecia ser programado.
Acho que ele e ela aram meio robôs.
Preocupei-me com minha indiferença.
Nada neles me atraía...
Então fiz uma comparação...
Você ainda não é bem sucedido.
Nem tão belo ainda o é.
Veste simples e nem mulher você tem.
Fala pouco.
Pensei: onde estudaria sua futura mulher?
Você não chama atenção, ninguém o observa.
Não fuma e odeia bebidas.
Daí pensei o que me faz ficar com você...?
Perguntei e respondi.
Será bem sucedido se eu o apoiar.
Será belo se assim eu o ver.
Sua mulher será eu certamente.
Estudarei onde acharmos melhor.
Tudo em você me chama a atenção.
Eu sempre o observo.
Qualidades e defeitos.
Assim conclui:
Ninguém tem o brilho que você tem!!





sábado, 28 de janeiro de 2012

PALAVRINHAS

Os textos abaixo postados e datados são de um tempo já distante, textos adolescentes e  idealizados que nada  mais tem a ver com meus textos de hoje. Penso que não são ruíns e revelam uma adolescência tardia e conturbada. Gosto deles. Me gostei mais ainda reescrevendo-os. Revi uma garota ingênua, castrada, oprimida e temente a Deus. Parece que eu era certinha, acomodada nos moldes da educação materna. Minha mente porém, estava à milhas de distância, ainda que eu não soubesse. São textos quentes. Quentura essa que bem se sabe de que se trata. É a vida. Alienação não foi de todo ruim. Ficaram os registros. Eu era uma garota normal. Reprimida por um lado mas livre para pensar. O pensamento ninguém consegue prender.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A GREVE

Da greve dos operários me fiz militante.
Buscava corpos famintos e os induzia.
Eu os enganava descaradamente.
Até café com pão ofereci.
Fiz em cada um deles uma lavagem cerebral.
Dava-lhe de beber, a água que eles queriam.
Eles confiavam mais e mais em mim.
A água era ardente.
Dei o que eles gostavam e eles gostaram de mim.
Ficaram todos alegres.
Alguns buscaram seus instrumentos musicais.
Outros violentos.
Mas o samba começou.
Eu os tinha em minhas mãos e sorria cinicamente vendo tal felicidade.
A água fazia efeito e outros mais, violentos.
Buscavam as pedras como alimento e logo as atiravam como vômito.
Suas bocas não tinham dentes.
Seus estômagos não tinham comida.
E da grave dos operários me fiz lider.
Como era fácil conduzir aqueles homens.
Era como ter um pedaço de carne nas mãos e levar aos leões.
O calor aumentava e o meio do dia se aproximava.
Fui para casa saborear meu banquete.
Eu era lider da greve.
Eu os conduzi.
Agora eles conduzem  tudo.
Mais café com pão regado à água que arde.
A mesma água que saia de suas bexigas, corpos.
Estavam cansados e suados.
Bêbados e famintos mas não me abandonavam.
O sol torrava seus miolos e mais firmes continuavam.
Voltei do almoço e vi aquela cena.
Eles haviam se transformado.
Pareciam mortos-vivos, monstros.
Armados com pedras, paus, unhas e dentes.
Incontroláveis!
Eu estava apavorada e queria que parassem de lutar.
Unidos lutavam e se perguntassem o motivo da luta certamente já não mais saberiam.
Eu já não sabia como controlar.
Queria dispersão.
Me livrar de toda aquela gente.
Só que não tinha mais o que fazer.
Não tinha como voltar atrás.
A solução foi chamar a polícia.
Sim, covardemente chamei a polícia para controlar o que eu havia provocado.
Muitos foram detidos e claro, demitidos da empresa.
E eu?
Nada, nada aconteceu!!

1983






PORQUE VIVEMOS

Porque a gente vive heim?
Para sofrer ou para ser feliz.
Ou só para ser mais um na face da terra?
É feliz quem quer e sofre quem quer?
Basta olharmos o mundo de um lado que sofremos.
De outro vivemos cada vez mais.
Olhando um pobre a pedir esmolas perguntamos:
Por que ele pede? Por que mendiga?
Ele tem braços, pernas, olhos, tudo que eu tenho.
Eu não sou assim...
Seguindo uma prostituta, vendo ela se vender, sabendo que ela não se dá o valor.
Também sou mulher e jamais me rebaixaria tanto.
Vendo um homem se embebedar, por que meu Deus  ele se prejudica.
Eu também poderia seguir o mesmo caminho mas não sigo. Por quê?
Vendo uma criança nos braços de uma mãe que não a quer.
Que lhe pos no mundo e logo lhe dará a alguém.
Talvez eu seja uma delas mas jamais farei isso a uma criança, pois é a coisa mais pura do mundo.
Vendo na guerra, crianças mortas, famintas, mãe procurando filho, filho procurando pelos pais.
Gente catando comida, restos podres.
Gente magra, ferida, suja, sem saber se amanhã viverão.
Homens poderosos mandando, humilhando, pisando nos mais fracos.
Enfim se a gente for listar tudo que tem de ruim no mundo, um livro não chegaria.
Por outro lado olhando uma família bem de vida, sem problemas, sem saber se no mundo há alguém sofrendo ou não..
Para eles o mundo é bom.
Fazem seu mundo ser feliz.
Olham as coisas boas e deixam as ruins de lado.
Quem dá valor à vida, às pessoas, se preocupam com os outros, se divertem, elevam seu pensamento a Deus e agradecem pelas coisas boas, são felizes.
Mesmo as coisas ruins devem ser agradecidas, pois devemos agradecer por nos dar o direirto de sofrer e sentir o que os outros sofrem.
Só assim olhamos para os lados e vemos quem precisa de ajuda.
Ser feliz talvez seja agradecer pela água que faltou já que tivemos até agora, que custa sentir um pouco de sede se tantos já morreram de sede?
Ser feliz é reconhecer os próprios erros e procurar corrigi-los.
É dizer a alguém quando está errado e que um dia pagará por seus erros.
Ser feliz é ter um pai e uma mãe mesmo que não nos entendamos muito bem, pois bastou termos nascido para que tenhamos que agradecer a vida toda.
Viver e ser feliz é poder escrever e dizer tudo ao papel!!

06/06/1978  -  14:25 h.


POETANDO

O poeta é homem pobre.
Tudo idealiza.
Tudo sonha mas nada pode ter.
Encerra-se então num mundo que é só seu.
Suas verdades são reais.
Seus sonhos são possíveis.
Torna-se alheio a tudo que for material.
Sua vida se resume em escrever.
Mora num quarto de pensão.
Aluguel atrasado.
Alimenta-se pouco e bebe muito.
A fúria de sua condição é ferramenta de trabalho.
Ignora tudo e todos.
É revoltado e paranóico mas sabe dizer coisas lindas.
Ganha a vida com sua revolta.
O que para ele no passado era motivo de ódio, será no futuro o sustento de sua vida.
Será o legado para seu filho e a glória para sua família.
Glória de seu tempo.
Trofeu na estante.
Cadeira na academia...
Eis portanto o fruto de sua revolta, a colheita de sua plantação.
Recompensa pelas horas de desepero e agonia.
Pobres homens em busca de reconhecimento.
Pobre é quem acha que a revolta não leva a nada.
Discordo.
Raiva, ódio, nojo, agonia, tristeza, depressão...
Para quem escreve não passam de instrumentos.
Os mais precisos para execução de seu ofício.






TREVAS

Havia entre as trevas um clarão que emanava do teu corpo ardente.
Ardia em mim a tua existência.
Eu me debatia tentando te afastar.
Houve portanto, um choque.
A chama de teu corpo se deparou com a frieza de meu ser.
Eu sabia que a chama se terminaria com meu gelo.
E o meu gelo terminaria com tua chama.
Havia porém, algo que impedia esta fusão.
A nossa ignorância.
A insistência de cada um se manter firme em seus propósitos.
Neste triste momento de egoísmo, continuou a chama arder sozinha e o gelo seco e só.

01/11/1985  -  22:20 h.


ADEUS

No dia do meu adeus foi um passo firme e decidido.
Despedi-me triste dos meus em busca do futuro pedido.
Eu sabia que não estava sozinho mas sabia que estavam longe de mim..
Eu estava em busca de meu caminho e vocês de longe zelavam por mim.
A estrada foi longa e tortuosa, me testaram do princípio ao fim.
Não esperava que fosse generosa, mas que confiasse mais em mim.
Os testes foram feitos e eu forte, corajoso e decidido, alcancei bons conceitos.
As vezes sentia vontade de chorar mas os compromissos me impediam.
Então, enquanto trabalhava, procurava orar, só assim a saudade e a tristeza se iam.

25/07/1985  -  00:20 h.





LIVRÃO DE NÓS

Cada um de nós tem um livro dentro de si.
Sua vida sua história.
Todos nós somos poetas, atores, personagens da vida.
A comédia vida, a tragédia viva.
Cada ser humano é fundamental para o fim da história.
Os que morrem são personagens que levam segredos.
Jamais serão desvendados.
São insubstituíveis, exclusivos, sem igual.
Por isso a história da vida não tem fim.
Ela é só começo.
Não existe na história da vida a "moral da história", porque é impossível terminar uma história sem personagens.

20/01/1986  -  l4:05


BUSCANDO

Um homem na rua caminha com objetivo.
Destino.
Cabeça baixa olhando os próprios passos.
Chuta uma pedrinha.
Pisa numa formiga.
Não olha para o lado.
Nem para cima.
Só para a frente.
Seu destino é uma pergunta - aonde vou?
Sua resposta é - a procura da felicidade!
A felicidade que encontro em cada passo.
Passos que piso com firmeza.
Sozinho com meus passos posso perguntar, responder, concordar, discordar.
Minha cabeça guia minhas pernas.
Minhas pernas me levam ao meu destino.
Este homem continua na rua.
Sua vida é procurar.
Procurar é sua felicidade.
Feliz sou eu.
Na rua.

22/09/1985  -  20:07


NÃO LEMBRO

No alto da montanha tento te encontrar mas a distância me impede.
Me resta escalar as montanhas do teu pensamento.
É difícil eu sei, mas não é impossível.
Tentando tudo se consegue.
Basta buscar, procurar e fazer por merecer.
Subo o mais que posso.
Atravesso matas fechadas, subidas bruscas.
Gaviões tentam me morder e contra eles me debato.
Nada tenho contra eles nem quero seus filhotes.
Só quero subir e te encontrar.
O caminho é longo mas não desisto.
Por você vou até o limite.
E quando não posso mais, me entrego e quase morro por você.
É por você que me esforço.
É você quem eu quero.
É de você que espero recompensa.
Não há porém esperanças ou chances.
Mas me basta buscar!!
Só que encontrei também algumas flores raras em minha escalada.
Todas colhi.
Meu trofeu será este talvez.
Encontrei também um pássaro que nunca tinha visto.
Não quis pegá-lo mas sua imagem ficará.
A escalada começa a ficar gratificante e sem esquecer de meu objetivo, começo a explorar a natureza.
Vejo tudo que ela pode me oferecer de belo e desconhecido.
O fim se aproxima e meu coração bate mais forte.
Não sei se é pressão ou aflição.
Medo de continuar?
Continuo.
Chego ao final, olho ao meu redor e vejo um mundo imenso.
Toda uma natureza belíssima.
Até um imenso vazio provocado pela erosão se torna tão belo.
É um mundo lindo que nunca tinha visto.
Longe, abrangente.
Só você quem eu procurava, não encontrei.
Mas me proporcionou uma visão única do mundo.
Menos de você...
Volto tranquila e satisfeita e esquecida de quem me esqueceu.
O pássaro, a flor, a natureza, jamais esquecerei, nem o mundo que vi.
Mas lamento concluir:
É mais fácil ter o mundo do que ter você.






PROCURA

O homem caminha em marcha lenta e gradativa.
Os passos falsos, olhos baixos, cabeça curvada.
Escuridão que atormenta.
Língua que não se move.
Membros estagnados.
Procura alguém superior.
Que não caminha em falso, olhos não baixos, cabeça erguida.
Que ande numa claridade infinita.
Onde se possa falar o que atormenta.
Gritar!
Grito de liberdade.
Sinal de existência.
Pedido de socorro!!
Ajuda.
Ponto de encontro, abraço apertado, transmissão de pensamento!
Um pouco de ar...
Me ajudem, eu realmente preciso!!

02/02/1980  -  23:30 h.




SEI, SIM

Sei que um dia morrerei!
Que te deixarei mas Deus há de te cuidar...
O vento e a chuva da sujeira vão te livrar.
O sol há de queimar quem um dia contra ti blasfemou.
Contra o irmão teu.
As pedras vão cobrir as riquezas do mundo.
Ninguém há de querer o que não lhe pertence.
Todos cantarão em harmonia.
Chorar com braços, pernas, bocas e olhos.
Pedir perdão.
Atos, ideias, inglórias!
Os animais cantarão, uivarão.
Vitória sobre os homens!
Luta entre alegrias e tristezas.
Medo do depois e alegria na esperança.
Renascer, vida outra vez.
Sol, luz, brilho.
E novamente o medo do novo rodeará os homens que esperam alcançar, um dia, seu triste fim.

29/01/1979


DESCANSA

Sobre uma cama teu corpo repousa.
Cansado das pressões do dia.
Esmagado, carcomido, deteriorado.
Pobrezas da vida!
Sobre a cama teu braço relaxa.
Te apoiou, te ajudou, te salvou.
Sobre a cama tua perna que te sustentou, te levou.
Ao bem ou ao mal.
Agora inerte.
Sobre a cama, em tua cabeça o pensamento repousa.
Mas tuas ideias se multiplicam, atormentam.
Ela dói.
Teu passado relembras...
Cada cabeça uma sentensa.
Dorme, pensa em Deus.
Que mal te persegue?
Esquece, agradece.
Pelos braços, pernas, cabeça.
Lucidez
Se agora tua cabeça já não dói.
Dorme em paz!!


26/03/1980